Foi anunciada a suspensão do Jornal da Trofa. O histórico jornal trofense passará a ter edições anuais, deixando as suas edições regulares que, recentemente, tinham passado de semanais para quinzenais.
É uma decisão que lamento profundamente. Tive a honra de durante os últimos meses, a convite da direcção do JT, figurar como colaborador do jornal, e em todas as edições pronunciar-me sobre os mais variados assuntos que influenciavam a vida dos cidadãos trofenses. Agradeço essa oportunidade.
Apesar de lamentar o facto, por toda a carga histórica que se associa ao jornal, esta era uma decisão que se antevia. A crise económica do país baixou os orçamentos das empresas para publicidade, o rigor na gestão dos dinheiros públicos da câmara municipal da Trofa diminuiu as receitas de publicidade por esta via, quando anteriormente este valor era manifestamente exagerado. Mas não foi só a liquidez de empresas e instituições públicas que baixou, o interesse em publicitar neste jornal também decresceu. E neste ponto, há que ser muito claro e não encobrir a realidade, o JT foi-se tornando menos apelativo, muito por culpa das decisões editoriais do jornal.
Existem vários exemplos a dar. O JT nunca foi completamente isento, ao nível da sua direcção. Das jornalistas que trabalharam neste jornal só se pode louvar o seu esforço por uma informação imparcial, contudo, as direcções do jornal que contaram nos últimos anos com elementos publicamente afectos aos PSD, reduziram a qualidade informativa e opinativa do jornal, transformando-o, ultimamente, num espaço de raiva pessoal, mesquinhez política e desvarios inconcebíveis.
Eu, pessoalmente, e a JS, institucionalmente, sofreram com esta atitude. O meu habitual artigo na penúltima edição do JT não foi publicado, para a última edição apenas os colaboradores afectos ao PSD publicaram, e JS viu a sua actividade em Covelas censurada, por ordem expressa da direcção do jornal. Enquanto isso, sobrava espaço para páginas e páginas de opinião pouco fundamentada, afecta à oposição, baseada em boatos e desfasadas da realidade e, em alguns casos pasme-se, opinião não assinada, que prejudicava gravemente a imagem do jornal.
O Eng. Luís Pinheiro, membro da direcção do Jornal, diz que restará na Trofa um jornal “que anda atrás dos factos ocorridos”. Pois bem, o eng. Luís Pinheiro e restante direcção deveriam ter entendido anteriormente que é exactamente para isso que serve um jornal: informar sobre factos ocorridos, e não sobre factos imaginados.
Falar de máfias, falta de democracia, e outros artefactos apenas serve para tentar apagar um facto: o Jornal da Trofa já não era o jornal de todos os trofenses, e os investidores desistiram de um jornal faccioso que perdeu qualidade. Apenas funcionou a lei do mercado, num mundo e numa terra em mudança, enquanto o JT se perdia nas agruras pessoais do velho poder.
Poderão contar com a minha colaboração para reerguer o Jornal da Trofa, para que esta suspensão, seja apenas um "até já".


